“Epidemia” de Ansiedade, Depressão e outros Transtornos
- 6 de mai. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de fev. de 2023

Em 2020, o mundo tomou consciência da importância e necessidade de se ter qualidade na saúde mental. Segundo a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo: 9,3% da população tem algum tipo de transtorno psíquico como síndrome do estresse pós-traumático, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, e a síndrome do esgotamento profissional, Burnout. E, ser diagnosticado com qualquer um desses distúrbios ainda é visto como um sinal de fraqueza psíquica, física e moral, afinal, sentir angústias, dúvidas e sofrimentos é abater-se em relação à vida, e só pode significar despreparo ou recusa a encarar “as coisas como elas são”.
Vivemos desafios e incertezas quanto ao nosso futuro, estamos mais isolados, pressionados para sobreviver em condições incertas, em empregos precários, o que faz com que as taxas de depressão e ansiedade tenham se alastrado mundo a fora.

O medo, a ansiedade e o estresse são sentimentos que nos assolam diretamente e que estão ligados à sobrevivência humana, e que ativam e desencadeiam processos em nosso corpo, causando sintomas aterrorizantes e incapacitantes e muitos dos casos.
O medo funciona como um alerta do cérebro, que detecta se estamos em perigo de morte real e imediata, e que aciona uma descarga bioquímica de substâncias em nosso corpo, a noradrenalina, a adrenalina e o cortisol, como mecanismo de defesa para que tomemos uma ação de proteção à nossa sobrevivência. Um objeto concreto de possibilidade de morte iminente é o medo de ser assaltada, levar um tiro, e morrer.

A ansiedade é um outro tipo de alerta do cérebro, acionada pelo medo, e que provoca o disparo da mesma descarga bioquímica de substâncias que o medo, porém para uma baixa ou nula possibilidade de morte imediata, e que é subjetiva, não real, mas que adoece. Um objeto não concreto de morte iminente é o medo de ficar desempregada e de não ter dinheiro para pagar as despesas básicas para me manter viva, saudável e poder realizar tudo o que planejei.
O estresse é quando o corpo fica sobrecarregado com o excesso deste processo de descarga bioquímica, e que cansa e esgota o corpo repetitivamente, causando sintomas como taquicardia, falta de ar, angústia, dor muscular, cansaço constante, formigamento nas mãos e pés, mudança de apetite, problemas de pele, sensibilidade emotiva, irritabilidade excessiva, hipertensão arterial, tontura.
Podemos pensar que a ansiedade é o que planejamos que irá acontecer, e que prepara nosso cérebro para tal acontecimento, mas que porém, quando o acontecimento esperado não ocorre, o sofrimento aparece como causa da frustração sobre o que não aconteceu, pelo que deu errado, e, ainda, pelo que pode ou não vir ainda a acontecer, criando-se um ciclo vicioso de sofrimento.

Quase sempre o isolamento passa a ser inevitável, já que não somos compreendidos pelas pessoas que nos rodeiam, e, que, na verdade, sentem um certo receio de falar com “ansiosos, deprimidos, sofredores”, por talvez terem que se dar conta de identificar nestes sujeitos um espelho.
A maioria dos fatores que causam depressão e ansiedade, estão ligados à maneira como vivemos, e de necessidades psicológicas não atendidas, à exemplo da solidão, que aumenta as chances de desenvolvermos depressão. Ou a de um trabalho improdutivo e que não nos causa prazer em executar, e a falta de contato com a natureza.
Como resolver?
Não basta “força de vontade”, antidepressivos e frases motivacionais para lidar com pensamentos invasivos e obsessivos, e que dominam nossa mente de forma involuntária e repetitiva, causando grande desconforto, angústia e ansiedade. Já, poder falar sobre o sofrimento e angústias que estamos enfrentando, poder ressignificar sentimentos e realizar mudanças efetivas, que impactarão positiva e qualitativamente nossa vida, certamente fará os sintomas desapareceram.

A psicoterapia e a respiração diafragmática são as principais aliadas, juntamente com escolhas mais saudáveis.
Não negar o medo e não ceder a ele, além de procurar enfrentá-lo de forma a ter certeza de que aquela sensação ruim vai passar, entre 20 a 40 minutos, pode ser tranquilizante.
E, por fim, desconstruir a ideia de que tudo o que sentimos é de única e exclusiva responsabilidade nossa, aliviará o sentimento de impotência e culpa.
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Luciana De Rosa | Psicanalista
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